Thursday, October 09, 2008

 

Em Defesa dos Funcionários do SAMU

No dia 13 de julho de 2008, o jornal Tribuna de Minas publicou uma matéria citando a deficiência da estrutura do SAMU, porém foi totalmente infeliz ao estampar na primeira página o título de roleta russa. A expressão está errada e joga os servidores do órgão contra os usuários, uma vez que, ao lerem o título da capa fazem uma interpretação equivocada. Com isso, a segurança destes profissionais fica ameaçada, principalmente porque, na maioria das vezes, quando a população aciona o SAMU a situação é sempre de risco de vida, e os dedicados profissionais agem com a total responsabilidade de quem lida com seres humanos. Jamais os servidores do SAMU têm a prerrogativa de decidir sobre a vida das pessoas.

É preciso deixar claro que de fato a deficiência existe, mas deficiência de estrutura, não de qualificação dos trabalhadores do órgão, que nunca foram negligentes no exercício da função.

O sindicato dos servidores sai em defesa dos trabalhadores do SAMU, uma vez que o jornal não ouviu as partes. Em nenhum momento o SINSERPU, através de sua diretoria, foi procurado para se posicionar sobre o assunto.

Solicitamos que o jornal Tribuna de Minas corrija o equivoco, e que a matéria novamente ganhe as páginas, porém, com o devido esclarecimento, pois o SAMU é um órgão competente, com servidores preparados que agem todos os dias em defesa da vida.

Cosme Nogueira - Presidente do Sinserpu

 

Os justos pagam pelos pecadores

A situação na prefeitura de Juiz de Fora já estava ruim há algum tempo, mas piorou bastante para os servidores com a comprovação de desvio de recursos na administração anterior. Com a ascensão do atual prefeito, a prioridade passou a ser a manutenção da folha de pagamento da categoria.

Fazemos coro à prerrogativa, mas não podemos deixar de marcar a nossa posição enquanto sindicalistas, quando algumas medidas são tomadas e estas, por sua vez, são contrárias aos interesses dos trabalhadores.

Citamos aqui a situação dos servidores do HPS. Não sabemos por que ou qual o motivo, mas a empresa Servir que tem contrato com a prefeitura para o fornecimento de refeições, reduziu substancialmente a qualidade da alimentação, e muitos trabalhadores estão deixando de se alimentar em virtude desse problema. O que aconteceu? Mudou o contrato?

Neste caso, porém, os servidores não podem ser penalizados. Outro assunto diz respeito às demissões de antigos contratados, em sua maioria, com baixos salários, que neste momento estão sofrendo as conseqüências.

O corte de horas-extras, por sua vez, tem afetado a categoria de uma maneira cruel. Muitos servidores fazem esse trabalho extra há anos e o valor pago já faz parte da contabilidade doméstica de suas famílias.

Sabemos ser necessária a redução de gastos, mas é importante ter a prudência e o cuidado para não cometermos injustiças. Esperamos que a Administração se posicione, e que todas as providências sejam tomadas para que os justos não paguem pelos pecadores.



Cosme Nogueira - Presidente do Sinserpu


 

Qualificação e renovação são prioridades

Acompanhar a evolução dos tempos é uma obrigação de todos aqueles que possuem consciência coletiva e tem visão de futuro. Portanto, o movimento sindical não pode ficar fora desta tese. Os últimos levantamentos apontam que o movimento sindical está envelhecendo, ou seja, falta renovação, mas qual é o motivo?

Muitos dizem que os jovens estão antenados nas novas tecnologias que o mundo moderno globalizado oferece, mas o movimento sindical, a partir desta análise, necessita urgentemente de buscar novas alternativas, com o objetivo de atrair a juventude para o movimento. Quais alternativas seriam?

Primeiro: buscar novas formas de se comunicar com a base. Atualmente, a maioria das entidades, através dos informativos, estabelece uma linguagem maçuda, ou seja, direcionada apenas àqueles que entendem o dialeto sindical. É preciso renovar os jornais, investindo no visual, adaptar um vocabulário fácil, escolher pautas abordando temas atuais, fazendo com que a leitura seja mais prazerosa.

Segundo: investir nas novas tecnologias da informática, criando sites, promovendo a comunicação virtual.

Terceiro: presença constante na base, o corpo-a-corpo é fundamental. A direção não pode se ausentar dos locais de trabalho, ela tem que estar presente para evitar um distanciamento, que na maioria das vezes estabelece uma relação formal, e a relação entre direção e a base tem que ser calorosa e intensa.

Mas o ponto crucial, para a grande transformação é a qualificação dos dirigentes e da própria base, quem tem visão de futuro precisa se qualificar e aprimorar seus conhecimentos. A elite investe pesado na educação e porque nós, trabalhadores, temos que ser diferentes? Não podemos sentar numa mesa de negociação sem preparo, não podemos estar despreparados no relacionamento com a imprensa e com os demais segmentos organizados da sociedade, para isso, temos que vencer algumas barreiras impostas pelo atraso e ignorância de alguns que acham que o dinheiro do sindicato é somente para manter o mínimo necessário.

Falta visão a quem pensa desta maneira, pois, educar e qualificar são imprescindíveis. Quando um grupo de sindicalistas parte em viagem para participar de congressos ou plenárias, é comum ouvir alguém dizer que os companheiros vão passear, pobre ignorância. Mal sabe o desinformado, que para alcançar o sucesso numa campanha salarial ou em qualquer reivindicação é necessário o mínimo de preparo possível e este preparo se adquire, participando e se interagindo com os demais segmentos.

Qualificação caminha ao lado da renovação. Sindicato tem um papel importante dentro da sociedade, sindicato é símbolo de resistência, vivemos numa sociedade feroz, lutamos contra um capitalismo selvagem que nos explora, e temos que estar preparados para o enfrentamento.



Cosme Ricardo Gomes Nogueira - Presidente do Sinserpu


 

Sindicalismo que incomoda

Desde que assumimos a direção do Sinserpu em 2001 adotamos o lema do sindicalismo consciente, ou seja, nem radical nem submisso, aliado a uma política de resultados. Esta prática deu certo e hoje temos a satisfação de poder mostrar as conquistas que obtivemos ao longo destes anos.O sindicalismo moderno cobra daqueles que estão à frente das entidades uma postura diferente: é preciso ter preparo, liderança e principalmente estar atento às questões políticas. O sindicalismo moderno tem propostas e diálogo permanentes. Não basta só reivindicar e cobrar, é necessário ao sindicalista, ao se sentar numa mesa de negociação, preparo para apresentar alternativas que visem ganhos para a categoria.O diálogo permanente não significa que as manifestações de massa e os enfrentamentos mais arrojados acabaram. Eles são instrumentos de luta que podem ser utilizados quando todas as possibilidades de diálogo se esgotam, e mesmo quando o sindicato for realizar atos de enfrentamento, é importante usar a criatividade e sempre procurar trazer a comunidade para junto do movimento como forma de aglutinar forças, principalmente se for do serviço público.Esta maneira de agir não é unânime e como toda mudança trás resistência, existem aqueles que dizem de forma maldosa que somos precursores do neo-peleguismo. Este discurso é dito pelos adeptos do velho jargão “vamos à luta companheiro”. Porém, não é segredo para ninguém que nem todos iam à luta e nem todos eram companheiros. Aquela forma do sindicalismo radical permanente era necessária no período da ditadura militar, quando o povo lutava pela abertura política e o direito de expressão, ou seja, lutava pelo poder.Hoje temos o direito de expressão e alcançamos o poder, pois o maior líder sindical do país se tornou presidente da República. E mesmo assim vamos continuar exercendo o sindicalismo do mesmo jeito do passado?O próprio presidente Lula só chegou ao poder se aliando a forças consideradas rivais e que, sem a proposta de coalizão com os demais partidos, jamais conseguiria vencer as eleições. Foi necessário mudar o discurso para chegar ao poder e daí realizar as transformações que o país precisava. Diante desta realidade temos a plena convicção que a nova maneira de exercer o sindicalismo não fere os velhos padrões que o conservadorismo resiste. Pelo contrário, a nova forma acompanha a evolução dos tempos e todas as entidades que passaram a adotar a postura do sindicalismo moderno, estão colhendo bons resultados para suas categorias. Dialogar não significa se vender ou pelegar; diálogo é buscar resultado, e sem resultado sindicato enfraquece e sindicato enfraquecido é sindicato sem base.Preparar as lideranças do movimento sindical hoje é uma prioridade, pois sem preparo não chegaremos a lugar nenhum e a participação do movimento sindical dentro da esfera política é importantíssimo, pois aumenta o poder de força da classe trabalhadora. Eleger representantes dos trabalhadores comprometidos com a causa é agir com inteligência. Quanto mais representantes conseguirmos eleger, mais resultados vamos colher. Esta tese do sindicalismo moderno incomoda tanto aos sindicalistas resistentes quanto aos capitalistas e representantes do sistema, pois é uma postura diferente, uma nova forma de luta em busca do estado social democrático de direito.Cosme Nogueira - Presidente do Sinserpu
Os servidores e as eleiçõesVocê acha que nós vivemos realmente numa democracia? Com certeza não. Muitos dados reais contribuem com esta avaliação, mas a situação dos servidores municipais dentro do período eleitoral é um fato comprovado de violação do estado social democrático de direito. Não é respeitado o direito dos servidores expressarem publicamente a sua opção e o que comprova este fato real é que tão logo seja definido o processo eleitoral. Ou seja, após o resultado final, quando é divulgado o nome do vencedor, os servidores que optaram pelo candidato derrotado são rotulados de oposição ou da turma do contra e vão amargar quatro longos anos de penúria e sofrimento, e ainda ficam com medo de procurar o sindicato para fazer a denúncia. É muito comum ouvir dos servidores a mesma resposta quando ele é abordado por alguém sobre o seu candidato: já tenho o meu candidato, mas prefiro não manifestar. Até quando vamos ter que passar por esta situação, que é humilhante e de total desrespeito. Será que teremos de fazer uma revolução para de fato ser implantada a real democracia? O pior é ver que os praticantes desta atitude absurda são políticos que batem no peito que derrubaram a ditadura. Será que derrubaram mesmo, ou acabaram com uma para construir outra? Quantos servidores sofreram no passado e quantos ainda sofrem nas mãos dos carrascos e tiranos do poder? Pessoas que cometem verdadeiras atrocidades morais, prejudicando famílias, através do uso indevido da máquina pública com a colaboração dos puxa-sacos que, em sua maioria, incompetentes e inúteis. Os sindicatos representativos lutam para acabar com este absurdo. O objetivo é pôr fim ao flagrante desrespeito aos servidores e ao assédio moral praticado pelos pregadores do continuísmo político oligarca, que não trás beneficio para a coletividade e só sustenta os privilégios dos poderosos e de meia dúzia que os cercam.

Cosme Nogueira - Presidente do Sinserpu JF


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